A gestão de EHS, embora esteja ligada a atividades que exigem alta capacitação técnica, é um componente da administração em que o profissional gestor deve desenvolver habilidades acessórias igualmente importantes.

Com o tempo, os especialistas em segurança e saúde laboral foram se aperfeiçoando, sendo, hoje, peças-chave em setores, como a engenharia e a indústria petrolífera. Acompanhe o artigo e entenda por que o gestor de EHS precisa desenvolver diversas habilidades em seu percurso profissional!

Formação em gestão de EHS

EHS significa Environment, Health and Safety e, nas empresas brasileiras, é traduzida pelo acrônimo SSMA — Saúde, Segurança e Meio Ambiente. Assim como as empresas seguem modelos e filosofias de gestão consagrados, como o de Qualidade Total, o EHS também resulta da preocupação que os gestores passaram a ter com a segurança e a saúde no trabalho, incluindo também o meio ambiente, que intensificou-se a partir da década de 1980.

Portanto, ao assumir a liderança de equipes de EHS, os gestores precisam acompanhar a evolução do mercado. Hoje, mais do que nunca, esse profissional precisa desenvolver um conjunto de habilidades que garantam a eficiência das ações preventivas e a participação de todos na manutenção da segurança.

O primeiro passo para ser um gestor completo é a formação básica. Normalmente, o curso superior que forma gestores de EHS é o de Engenharia de Produção com desejável pós-graduação em segurança do trabalho e/ou meio ambiente. Paralelamente à faculdade, é recomendável fazer também cursos de segurança do trabalho para conquistar mais rápido uma vaga em um estágio e a desejada efetivação após o período de experiência na área.

Investir em cursos é muito importante, uma vez que são diversas as normas técnicas que precisam ser atendidas em função da variedade de ambientes de trabalho de alto risco ocupacional.

Algumas delas são:

  • PCMAT (NR-18) – Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção;
  • PPRA (NR-9) – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais;
  • APR – Análise Preliminar de Riscos;
  • Sistema de Gestão em Segurança, Saúde, Meio ambiente no Trabalho Rural (NR-31);
  • Plano de Gestão Integrada, normalmente vinculado à gestão de resíduos sólidos;
  • Selos de qualidade – ISO 14001, ISO 9001, OSHAS 18000, BS 8800.

Existem ainda muitas outras normas e regras técnicas específicas que o gestor em SSMA precisa dominar. A exigência por alta especialização decorre dos diferentes níveis de risco a que trabalhadores estão expostos, portanto, a multidisciplinaridade é um atributo muito bem-vindo.

Habilidade de comunicação

A segurança no trabalho depende diretamente do engajamento e da colaboração de todos os trabalhadores. Não há empresa segura na qual o comprometimento dos operários não seja muito grande em obedecer às normas de segurança.

Estimular esse comprometimento é um dos papéis dos gestores de EHS. De pouca utilidade será a simples indicação do uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI), se não ficar claro para o trabalhador por que ele jamais deve abandonar sua proteção.

Outro aspecto da comunicação na gestão da saúde e segurança é o constante feedback que o gestor precisa enviar para diretores e CEOs. Pela sua enorme importância, em muitas empresas, o setor de Saúde e Segurança do Trabalho está diretamente ligado ao corpo diretivo. Isso implica o envio periódico de reports, em que a clareza no repasse de informações é imprescindível.

Também cabe ao gestor treinar e desenvolver os trabalhadores que compõem sua equipe. Na rotina de treinamento, além da didática, o líder em segurança deve transmitir as informações utilizando um vocabulário adequado.

Identificando possíveis ruídos na comunicação, a margem para dúvidas diminui, e, em segurança, dúvida é um luxo ao qual nenhum trabalhador pode se dar.

Capacidade de persuasão

Como nem sempre os trabalhadores têm a disciplina e a boa vontade necessárias para manterem-se sempre adequadamente equipados, cabe ao gestor orientá-los para que evitem o relaxamento no uso do EPI, a fim de preservar boas práticas de higiene e segurança.

Nesse sentido, dependendo do caso, vale mais a pena ser persuasivo do que um disciplinador. As políticas para a prevenção de acidentes de trabalho e a redução dos riscos ocupacionais nem sempre são bem compreendidas, portanto, o poder de convencimento é muito importante para que todos façam sua parte.

Dependendo do ambiente, como no trabalho em altura, não há margem para erro. Caberá ao gestor ter máxima atenção e estar sempre empenhado em persuadir seus operários, afinal, são eles que materializam as políticas de segurança e as normas a serem observadas.

Facilidade de organização

Um aspecto igualmente importante na rotina de quem trabalha com saúde e segurança laboral é a organização. Em grandes corporações, é muito comum o desenvolvimento simultâneo de projetos, o que exige do gestor elevada capacidade de hierarquizar prioridades e entregar resultados com máxima eficiência.

Por exemplo, antes de obter a certificação OHSAS, é previsto o cumprimento de uma série de exigências. No caso da Gap Analysis, a correta identificação dos pontos em que a segurança da empresa precisa melhorar depende de um sentido de organização bem desenvolvido. Afinal, como saber onde há falhas, se o gestor não sabe por onde começar e terminar uma avaliação?

Espírito de liderança

Quando se está à frente de pessoas trabalhando em condições potencialmente perigosas ou adversas, o papel do líder é ainda mais importante. Não é apenas para manter as pessoas motivadas que um profissional de EHS atua, mas para ser uma referência sempre que um imprevisto colocar em dúvida a real eficácia das normas de segurança.

Da mesma forma que um técnico em segurança do trabalho precisa conhecer a fundo os atributos que precisa desenvolver, um gestor de EHS deve ser automotivado. Essa qualidade é invariavelmente percebida em profissionais com perfil de liderança marcante.

Embora os setores responsáveis pela saúde e segurança atuem para que acidentes nunca aconteçam, o risco é permanente. Em momentos de emergência, a figura do líder é decisiva para que as medidas emergenciais sejam tomadas, evitando que se instaure o pânico e a indecisão.

Espaços confinados, por exemplo, podem submeter o trabalhador a situações em que, se houver falhas na segurança, ele será colocado entre a vida e a morte em muito pouco tempo de trabalho.

Considerando as variáveis, o gestor de EHS deve estar preparado para dar pronta resposta às mais diversas ocorrências em que a segurança do trabalhador estiver em risco. A capacidade de liderar desenvolvida pode ser salvar vidas, famílias e empregos.

Como se pode perceber, a gestão de EHS é um tema que suscita amplos debates. Mantenha-se informado, assinando agora nossa newsletter! Fique sempre atualizado!

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