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          NR-33 Espaço Confinado

          Guia avançado de ventilação em espaços confinados: NR-33, ATEX, cálculos de purga e checklist técnico

          Posted on 17 de abril de 202617 de abril de 2026 by Equipe CONECT

          O gerenciamento de atmosferas em espaços confinados representa um dos pilares mais críticos da engenharia de segurança contemporânea, especialmente em contextos industriais onde a probabilidade de formação de atmosferas explosivas é uma variável constante. A complexidade de tais ambientes exige não apenas o cumprimento estrito de normas regulamentadoras, mas uma compreensão profunda da dinâmica de fluidos, da química de gases e da engenharia mecânica de equipamentos certificados. Este guia destina-se a profissionais de segurança e engenheiros, fornecendo uma análise exaustiva da legislação brasileira, comparada sistematicamente aos marcos regulatórios dos Estados Unidos, Canadá e União Europeia, integrando procedimentos operacionais, checklists técnicos e critérios de seleção de hardware de alta performance.

          1. Contextualização e Framework Normativo Nacional

          A segurança e a saúde dos trabalhadores em espaços confinados no Brasil são regidas primordialmente pela Norma Regulamentadora nº 33 (NR-33), intitulada “Segurança e Saúde no Trabalho em Espaços Confinados”. Esta norma, em sua revisão mais recente de 2022, estabelece requisitos mínimos para o reconhecimento, avaliação, monitoramento e controle de riscos.1 Um espaço confinado é tecnicamente definido como qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída e onde exista ou possa existir uma atmosfera perigosa.2

          Complementando a NR-33, a norma técnica ABNT NBR 16577:2017 (“Espaço confinado — Prevenção de acidentes, procedimentos e medidas de proteção”) atua como o principal balizador de engenharia para a implementação de sistemas de ventilação.4 Esta norma substituiu a antiga NBR 14787 e trouxe atualizações significativas quanto aos métodos de ventilação geral diluidora e local exaustora, além de critérios mais rígidos para a seleção de equipamentos.6

          1.1 Responsabilidades Organizacionais e Técnicas

          A estrutura de responsabilidade definida pela NR-33 é hierárquica e funcional, visando mitigar a falha humana através de redundâncias operacionais. A organização tem a obrigação legal de indicar formalmente um Responsável Técnico (RT), que deve ser um profissional legalmente habilitado para elaborar o cadastro de espaços confinados e os procedimentos de segurança específicos.8

          FunçãoPrincipais Atribuições Técnicas e Operacionais
          Responsável TécnicoIdentificar espaços confinados, elaborar o cadastro, adaptar a Permissão de Entrada e Trabalho (PET) e indicar equipamentos adequados.8
          Supervisor de EntradaEmitir a PET antes do início das atividades, executar testes atmosféricos e conferir os equipamentos.8
          VigiaMonitorar continuamente os trabalhadores, manter o controle de acesso e garantir que a ventilação nunca seja interrompida.8
          Trabalhador AutorizadoUtilizar EPIs e EPRs corretamente, seguir os procedimentos de segurança e evacuar o local ao sinal de alarme.8

          O descumprimento dessas atribuições, conforme evidenciado pela NR-01 (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais), expõe a organização a riscos jurídicos severos, além de comprometer a integridade física da equipe em ambientes onde a falta de ventilação é uma das principais causas de fatalidades.8

          2. Comparativo de Legislação Internacional: OSHA, CSA e ATEX

          A análise comparativa entre os modelos regulatórios do Brasil, Estados Unidos (OSHA), Canadá (CSA) e União Europeia (ATEX) revela nuances cruciais em termos de prescritividade versus desempenho.

          2.1 Estados Unidos: O Modelo Baseado em Desempenho da OSHA

          A Occupational Safety and Health Administration (OSHA) regula espaços confinados através da norma 29 CFR 1910.146 (“Permit-Required Confined Spaces”). A abordagem americana é notória por permitir o “Procedimento Alternativo” na seção (c)(5), onde a entrada pode ocorrer sem vigilante ou permissão completa se o empregador demonstrar, através de dados de monitoramento, que a ventilação mecânica forçada contínua é suficiente para manter o espaço seguro.13

          Diferente da NBR 16577, a OSHA não prescreve um número exato de trocas de ar por hora (ACH), focando no resultado final: a manutenção de uma atmosfera que não exceda 10% do Limite Inferior de Explosividade (LEL) e que mantenha níveis de oxigênio entre 19,5% e 23,5%.3 Contudo, diretrizes da ANSI (Z117.1) e da ACGIH sugerem frequentemente 20 ACH como prática recomendada para controle efetivo de contaminantes.15

          2.2 Canadá: Foco em Gestão Sistêmica (CSA Z1006)

          O padrão canadense CSA Z1006-23 (“Management of work in confined spaces”) é considerado um dos mais avançados do mundo devido à sua integração com sistemas de gestão de saúde e segurança ocupacional (OHSMS).17 A CSA Z1006 enfatiza o ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act) e impõe requisitos rigorosos para a verificação do sistema de ventilação antes da entrada.17 No Canadá, é comum a exigência de 15 ACH para trabalhos “frios” e até 20 ACH ou mais para trabalhos “a quente” (soldagem), visando a exaustão imediata de fumos metálicos.20

          2.3 União Europeia: Diretivas ATEX e Rigor Mecânico

          A Europa aborda a ventilação em áreas classificadas através de duas diretivas principais: a 2014/34/EU (ATEX 114), que trata dos equipamentos, e a 1999/92/EC (ATEX 137), que trata da segurança do trabalhador.22 O grande diferencial europeu reside na norma EN 14986 (“Design of fans working in potentially explosive atmospheres”), que especifica requisitos construtivos para ventiladores, como o uso de materiais que não geram faíscas e distâncias mínimas de segurança entre a hélice e a carcaça.24

          Critério TécnicoBrasil (NR-33 / NBR 16577)EUA (OSHA 1910.146)Canadá (CSA Z1006)Europa (ATEX / EN 14986)
          Referência PrincipalNR-33 e NBR 16577.429 CFR 1910.146.13CSA Z1006-23.18Diretivas ATEX.23
          Trocas de Ar (ACH)40 a 100 (Sugestão Tabela B.1).4Não especificado (Baseado em O2/LEL).315-20 (Recomendação comum).20Definido pela Zona/Categoria.25
          Certificação de EquipamentosInmetro Portaria 115/2022.26NRTL (UL, CSA, FM).27CSA International.27Organismo Notificado (Ex: TÜV).28
          Entrada AlternativaNão permitida (PET sempre exigida).2Permitida sob seção (c)(5).14Requer Reclassificação rigorosa.29Baseada em EPD (Doc. de Proteção Ex).22

          3. Dinâmica Atmosférica e Riscos em Áreas Classificadas

          A ventilação em espaços confinados não é meramente um processo de “empurrar ar”, mas uma intervenção termodinâmica e química em um ambiente instável. A presença de substâncias inflamáveis classifica esses ambientes como atmosferas potencialmente explosivas, exigindo que o engenheiro compreenda a hierarquia de controle de ignição.12

          3.1 Classificação de Zonas e Grupos de Gases

          No Brasil, seguindo o modelo IEC (International Electrotechnical Commission), as áreas são divididas em zonas baseadas na frequência e duração da atmosfera explosiva 30:

          • Zona 0: Atmosfera explosiva de gás presente continuamente ou por longos períodos.30 Requer equipamentos de Categoria 1G (EPL Ga).25
          • Zona 1: Atmosfera explosiva provável em operação normal.30 Requer equipamentos de Categoria 2G (EPL Gb).25
          • Zona 2: Atmosfera explosiva improvável em operação normal e que persiste por curto período.30 Requer equipamentos de Categoria 3G (EPL Gc).25

          Para poeiras combustíveis, a classificação segue a lógica de Zonas 20, 21 e 22.31 A escolha do ventilador deve obrigatoriamente corresponder à zona identificada; um ventilador certificado para Zona 1 pode ser usado em Zona 2, mas o inverso constitui uma violação gravíssima de segurança.32

          3.2 Química de Gases e Comportamento Físico

          A eficiência da ventilação depende da compreensão do peso molecular dos gases presentes. Gases com densidade relativa maior que a do ar (ex: H2S, vapores de hidrocarbonetos) tendem a se acumular no fundo de tanques e galerias.34 Gases mais leves (ex: Metano, Amônia) concentram-se no topo.34

          A ventilação deve ser estratificada de acordo com essas propriedades:

          • Para gases pesados, a insuflação deve ser direcionada para o fundo para deslocar o contaminante para cima e para fora.19
          • A exaustão localizada é preferível quando o ponto de geração do contaminante é conhecido, como no caso de vapores de pintura.37

          4. Engenharia de Sistemas de Ventilação: Teoria e Prática

          O dimensionamento de um sistema de ventilação eficaz requer a integração de cálculos de vazão, análise de perda de carga e seleção de acessórios.

          4.1 Métodos de Ventilação

          Existem três abordagens fundamentais para a movimentação de ar em espaços confinados 6:

          1. Ventilação Geral Diluidora (VGD): Utiliza insufladores para introduzir ar fresco no espaço, diluindo os contaminantes até níveis seguros. É o método primário para controle de oxigênio e conforto térmico.12
          2. Ventilação Local Exaustora (VLE): Utiliza exaustores para captar agentes poluentes diretamente da fonte geradora, como fumos de solda.37
          3. Ventilação Combinada: A utilização simultânea de insuflação e exaustão, ideal para espaços longos ou com geometrias complexas para garantir o fluxo unidirecional do ar e evitar zonas mortas.6

          4.2 O “Curto-Circuito” de Ar e Estratégias de Dutos

          Um erro crítico em ventilação é permitir que o ar insuflado saia imediatamente por uma abertura próxima ao ponto de entrada, criando um caminho de menor resistência que ignora o restante do espaço confinado.16 Para mitigar este efeito, o duto de insuflação deve penetrar profundamente no espaço, garantindo que o ar fresco varra toda a extensão do ambiente antes de ser exaurido.19

          Dutos devem ser mantidos o mais retos possível. Cada curva de 90° impõe uma resistência aerodinâmica significativa. A regra prática de engenharia sugere que para cada 7,5 metros de duto com curvas, a vazão nominal do ventilador pode cair entre 20% a 50%.16

          5. Cálculos Técnicos de Vazão e Purga

          O cálculo da vazão necessária é a base científica para a seleção do equipamento. No Brasil, a NBR 16577 fornece a fórmula fundamental para a vazão ( Q ) 4:

          Onde:

          • Q, é a vazão em metros cúbicos por hora (m3/h).
          • n, é o número recomendado de renovações por hora (ACH).
          • V, é o volume do espaço confinado em metros cúbicos (m3).

          A Tabela B.1 da NBR 16577 é um guia essencial para determinar o valor de com base na criticidade da atmosfera 4:

          Tipo de Mistura AtmosféricaTrocas de Ar Recomendadas (n)Objetivo Técnico
          Mistura homogênea e liberação insignificante40 a 100 ACHEstabilização de níveis de O2.4
          Mistura pobre e liberação significante60 a 100 ACHDiluição de contaminantes em geração contínua.4
          Alta liberação de contaminantes e movimento de ar desprezívelVentilação mecânica sozinha não é adequadaRequer inertização ou purga com vapor.4

          5.1 Determinação do Tempo de Purga Pré-Entrada

          Antes que qualquer trabalhador rompa o plano de abertura de um espaço confinado, a atmosfera deve ser purgada. O padrão aceito na indústria para garantir a eficácia da diluição é realizar no mínimo 7 renovações completas de volume.16

          A fórmula para o tempo de purga ( T ) em minutos é 15:

          Onde:

          • N, é o número de trocas de volume (ex: 7).
          • Q efetiva, é a vazão real do ventilador (já descontando as perdas de carga por dutos e curvas).

          Se o monitoramento inicial detectar gases altamente tóxicos (como H2S acima de 10 ppm), recomenda-se aumentar o tempo de purga calculado em 50% como fator de segurança adicional.36

          6. Tecnologia de Equipamentos: Ventiladores e Monitores

          A seleção de hardware para áreas classificadas não é apenas uma questão de potência, mas de certificação e compatibilidade de materiais.

          6.1 Ventiladores Certificados (Ex)

          Equipamentos elétricos destinados a atmosferas explosivas no Brasil devem ser certificados sob a Portaria Inmetro 115/2022.26 Existem três modelos principais de ventiladores portáteis para espaços confinados 12:

          1. Pneumáticos (Venturi ou Jato): Operam exclusivamente com ar comprimido. São intrinsecamente seguros, pois não possuem motores elétricos ou componentes que possam gerar centelhas. Ideais para Zona 0.12
          2. Elétricos à Prova de Explosão (Ex d): Possuem invólucros projetados para conter uma explosão interna e impedir que ela se propague para a atmosfera externa.25
          3. Segurança Aumentada (Ex e) e Outros: Utilizam materiais e componentes que reduzem a probabilidade de centelhas ou aquecimento excessivo.31

          Conforme a norma EN 14986, ventiladores ATEX devem possuir folgas mínimas entre a hélice e a carcaça de pelo menos 0,5% do diâmetro de contato para prevenir fricção geradora de calor.24

          6.2 Monitoramento Atmosférico e Detecção Multigás

          O monitoramento deve ser contínuo e estratificado. Detectores modernos, como o Ventis® MX4, permitem monitorar até 4 gases simultaneamente (LEL, O2, CO, H2S).44 Para liberação inicial, é obrigatório o uso de uma bomba de amostragem que permita coletar amostras de ar a até 15 metros de distância sem que o trabalhador precise entrar no espaço.36

          Parâmetro AtmosféricoNível de Alarme OSHA/NBRImplicação de Segurança
          Oxigênio (O2)< 19,5% ou > 23,5%< 19,5%: Risco de asfixia imediata; > 23,5%: Risco de combustão acelerada.3
          Inflamáveis (LEL)> 10%Imediata evacuação; risco de ignição.5
          Monóxido de Carbono (CO)> 35 ppmTóxico; interfere no transporte de oxigênio pelo sangue.19
          Gás Sulfídrico (H2S)> 10 ppmAltamente tóxico; causa paralisia olfativa rápida.19

          7. Procedimentos Operacionais e Permissão de Entrada e Trabalho (PET)

          A PET é o documento legal e operacional que consolida todos os controles. Ela não deve ser vista como uma formalidade burocrática, mas como o checklist final de sobrevivência.8

          7.1 Etapas para Entrada Segura

          1. Isolamento e Bloqueio (LOTO): Todas as fontes de energia perigosa (elétrica, mecânica, hidráulica, pneumática) devem ser bloqueadas e etiquetadas. Tubulações devem ser raqueteadas ou desconectadas.4
          2. Purga e Lavagem: Se o espaço continha produtos químicos, ele deve ser purgado com ar ou gás inerte e, se necessário, lavado para remover resíduos.6
          3. Monitoramento Inicial (Remoto): O supervisor executa os testes atmosféricos antes de ligar a ventilação para estabelecer uma linha de base.19
          4. Ventilação de Purga: Liga-se o ventilador pelo tempo calculado (ex: 7 trocas).16
          5. Monitoramento de Liberação: Novo teste atmosférico é realizado após a purga. Se os níveis estiverem seguros, a PET é assinada.8
          6. Trabalho com Ventilação Contínua: A ventilação mecânica nunca deve ser interrompida enquanto houver trabalhadores no interior.10

          7.2 O Papel Crítico do Vigia

          O vigia deve permanecer posicionado na entrada do espaço confinado durante toda a operação. Ele é o elo de comunicação entre os trabalhadores e a equipe de emergência.8 Se a ventilação falhar (ex: queda de energia ou quebra do motor), o vigia deve ordenar a evacuação imediata, pois a atmosfera em espaços confinados pode degradar-se em segundos.10

          8. Checklist Técnico de Inspeção e Liberação

          Este checklist foi desenvolvido para uso por engenheiros e técnicos de segurança em campo, integrando requisitos globais de áreas classificadas.9

          8.1 Verificação de Equipamentos e Atmosfera

          • [ ] O ventilador possui etiqueta de certificação Inmetro/ATEX legível e compatível com a Zona?.26
          • [ ] O motor do ventilador e a hélice são de materiais antifaiscantes (Naval Brass ou Alumínio <6% Mg)?.25
          • [ ] O sistema de aterramento do ventilador e do duto foi verificado para continuidade elétrica?.24
          • [ ] O detector multigás passou pelo teste de resposta (bump test) e ajuste de ar limpo hoje?.19
          • [ ] A bomba de amostragem foi utilizada para testar o topo, meio e fundo do espaço?.36
          • [ ] A mangueira de amostragem está livre de dobras e permite a sucção correta do ar?.19

          8.2 Verificação de Instalação e Procedimentos

          • [ ] A captação de ar fresco está localizada a barlavento (contra o vento) de chaminés e escapamentos?.35
          • [ ] O duto de insuflação está estendido até o terço inferior do espaço para evitar zonas mortas?.19
          • [ ] Foi calculado e respeitado o tempo de purga para no mínimo 7 renovações de volume?.15
          • [ ] Todas as válvulas de alimentação do processo estão raqueteadas e bloqueadas (LOTO)?.3
          • [ ] A PET identifica claramente o Responsável Técnico, Supervisor, Vigia e Trabalhadores?.8
          • [ ] Existe um sistema de resgate montado (tripé, guincho, trava-quedas) e testado no local?.8

          9. Desafios de Engenharia: Perda de Carga e Efeito de Sistema

          O erro mais comum cometido por técnicos menos experientes é confiar cegamente na vazão nominal escrita na placa do ventilador. Em engenharia de ventilação, o desempenho real é ditado pela curva do ventilador versus a resistência do sistema (dutos, curvas, acessórios).16

          9.1 O Efeito de Dutos e Conexões

          Dutos flexíveis de 8 polegadas (200mm) são o padrão da indústria. No entanto, sua natureza corrugada cria turbulência interna massiva. A cada metro de duto flexível, perde-se pressão estática.36

          Configuração do DutoPerda Estimada de Vazão (CFM/m3/h)Implicação
          Ventilador sem duto0% (Vazão Nominal)Apenas para ventilação livre; raro em espaços confinados.
          Duto reto de 4,5 metros~15% a 20%Perda por fricção superficial.36
          Duto de 4,5 metros com 1 curva de 90°~30%Impacto da turbulência na curva.16
          Duto de 4,5 metros com 2 curvas de 90°~50%Redução crítica; pode exigir ventilador de maior potência.

          Para compensar essas perdas, engenheiros devem selecionar ventiladores que entreguem a vazão necessária ( Q calculada ) no ponto de operação do sistema, e não apenas em ar livre. O uso de acessórios como o Manhole Ventilation Passthru permite a entrada de ar sem obstruir a passagem do trabalhador, mas adiciona restrição que deve ser contabilizada no cálculo.36

          10. Conclusões e Melhores Práticas para o Futuro

          A ventilação em espaços confinados dentro de áreas classificadas é uma disciplina de alta precisão que integra normas nacionais e internacionais para mitigar riscos catastróficos. A conformidade com a NR-33 e a NBR 16577 é o patamar mínimo, mas a excelência reside na adoção de práticas globais, como o rigor mecânico da EN 14986 e a gestão sistêmica da CSA Z1006.4

          Engenheiros e técnicos de segurança devem priorizar a ventilação por pressão positiva (insuflação) para garantir a qualidade do ar, reservando a exaustão para o controle de contaminantes na fonte.35 O monitoramento contínuo, a manutenção rigorosa de equipamentos certificados e a capacitação exaustiva das equipes são os únicos meios de garantir que um espaço confinado não se transforme em um ambiente fatal.

          O futuro da segurança nesses ambientes aponta para o monitoramento remoto em tempo real e sistemas de ventilação automatizados que ajustam a vazão conforme a detecção de picos de contaminantes.18 Até que tais tecnologias sejam onipresentes, o domínio dos fundamentos técnicos expostos neste guia permanece como a principal salvaguarda da vida humana na indústria.

          Referências citadas

          1. NR33 – Espaço Confinado – Trabalhador e Vigia – 2024.pptx – Slideshare, acessado em abril 17, 2026, https://pt.slideshare.net/slideshow/nr33-espaco-confinado-trabalhador-e-vigia-2024-pptx-100d/284005402
          2. NORMA REGULAMENTADORA 33 – Guia Trabalhista, acessado em abril 17, 2026, https://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr33.htm
          3. 1910.146 – Permit-required confined spaces | Occupational Safety and Health Administration, acessado em abril 17, 2026, https://www.osha.gov/laws-regs/regulations/standardnumber/1910/1910.146
          4. NBR ABNT 16577 Espaço Confinado – Prevenção de Acidentes, Procedimentos e Medidas de Proteção – Cópia PDF – Scribd, acessado em abril 17, 2026, https://pt.scribd.com/document/479795924/NBR-ABNT-16577-Espaco-Confinado-Prevencao-de-acidentes-procedimentos-e-medidas-de-protecao-Copia-pdf
          5. NBR 16577 de 03/2017: a proteção em espaços confinados – Target Normas, acessado em abril 17, 2026, https://www.normas.com.br/visualizar/artigo-tecnico/2999/nbr-16577-de-03-2017-a-protecao-em-espacos-confinados
          6. FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE – FANESE, acessado em abril 17, 2026, https://bibliotecaonline.fanese.edu.br/upload/e_books/p1470487-avaliacao-das-condicoes-presentes-nos-espacos-confinados-em-uma-planta-de-processamento-de-gas-natural-solucoes-aplicaveis.pdf
          7. segurança e saúde no trabalho em espaços confinados – Portal Gov.br, acessado em abril 17, 2026, https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-saude-no-trabalho/relatorios-air/relatorio-air-nr-33.pdf
          8. NR-33 SEGURANÇA E SAÚDE NOS TRABALHOS EM ESPAÇOS CONFINADOS – Portal Gov.br, acessado em abril 17, 2026, https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/arquivos/normas-regulamentadoras/nr-33-atualizada-2022-_retificada.pdf
          9. Checklist para Espaços Confinados NR 33 | PDF | Desenvolvimento profissional – Scribd, acessado em abril 17, 2026, https://pt.scribd.com/document/468901499/161144496-Check-List-NR-33-Rev-1-xlsx-xlsx
          10. Checklist para Emissão de PET: O Papel do Vigia e a Ventilação – Ecco air, acessado em abril 17, 2026, https://eccoair.com.br/checklist-pet-nr33-vigia-ventilacao/
          11. Confined Space – Guide to OHS Legislation – WorkSafeNB, acessado em abril 17, 2026, https://ohsguide.worksafenb.ca/topic/new_confined.html
          12. TREINAMENTO ESPAÇOS CONFINADOS – CONCEITOS TÈCNICOS E PRODUTOS CONECT, https://drive.google.com/open?id=1F2TaZhapUO9EWTAC4quIJDfIbZajRTJebSdwamCQcN0
          13. 1910.146 App C – Examples of Permit-required Confined Space Programs | Occupational Safety and Health Administration, acessado em abril 17, 2026, https://www.osha.gov/laws-regs/regulations/standardnumber/1910/1910.146AppC
          14. Permit-Required Confined Spaces – OSHA, acessado em abril 17, 2026, https://www.osha.gov/sites/default/files/publications/OSHA3138.pdf
          15. Confined Space Forced Air Ventilation Training Plan – MEL Safety Institute, acessado em abril 17, 2026, https://melsafetyinstitute.org/wp-content/uploads/2025/10/Confined-Space-Forced-Air-Ventilation-Training-Plan.docx
          16. 4 Common Confined Space Ventilation Pitfalls – Roco Rescue, acessado em abril 17, 2026, https://rocorescue.com/rescue-talk/confined_space_ventilation_pitfalls/
          17. CSA Z1006:16 (R2020) Standard and Redline | Codes & Standards – Purchase | Product, acessado em abril 17, 2026, https://www.csagroup.org/store/product/2424795_bundle_en_pdf_rl/
          18. CSA Z1006:23 | Codes & Standards – Purchase | Product – CSA Group, acessado em abril 17, 2026, https://www.csagroup.org/store/product/2430864/
          19. Confined Space Ventilation Check Checklist [FREE PDF] – POPProbe, acessado em abril 17, 2026, https://www.popprobe.com/checklist-library/confined-space/atmospheric-monitoring/b26a-con-ventilation-check-checklist
          20. Confined Space Ventilation Guideline – RHG00003 – Suncor, acessado em abril 17, 2026, https://www.suncor.com/-/media/project/suncor/files/contractors-and-suppliers/supplier-health-and-safety/in%20situ/confined-space-ventillation-guideline-rhg00003-en.pdf
          21. Confined Space Purging and Ventilation Reference Chart:, acessado em abril 17, 2026, https://assets.ctfassets.net/05xqnz9li1v7/3WNiEPmNDqyDbTr3pbe2zW/008988cfdf93cc9999acd76566b708d8/PocketGuide_Ventilation.pdf
          22. ATEX Regulations – Frequently Asked Questions – Health and Safety Authority, acessado em abril 17, 2026, https://www.hsa.ie/eng/topics/atex/atex_regulations_-_frequently_asked_questions/
          23. ATEX equipment and explosive atmospheres – HSE, acessado em abril 17, 2026, https://www.hse.gov.uk/fireandexplosion/atex.htm
          24. Mechanical Design Criteria of Fans for Explosive Atmospheres: Clearance of Rotating Parts, acessado em abril 17, 2026, https://www.axair-fans.co.uk/news/mechanical-design-criteria-of-fans-for-explosive-atmospheres-clearance-of-rotating-parts
          25. The ATEX Fan Guide | EN14986 Explosive Atmospheres & Hazardous Areas, acessado em abril 17, 2026, https://www.heatingandprocess.com/the-atex-fan-guide-en14986-explosive-atmospheres-hazardous-areas/
          26. Portaria Inmetro 115/2022 | – Maex Engenharia, acessado em abril 17, 2026, https://maex.com.br/portaria-inmetro-115-2022/
          27. EURAMCO_CAT2017 (1).pdf, https://drive.google.com/open?id=132IkSwxIcZ-j-7obHZ5HSNQwZMpnEo2X
          28. ATEX Directives: an introduction – Blog – Gexcon, acessado em abril 17, 2026, https://www.gexcon.com/resources/blog/atex-directives-an-introduction/
          29. Confined Space Safety Guide- EN – Cloudfront.net, acessado em abril 17, 2026, https://drh6hn78z759f.cloudfront.net/userfiles/pdf/ppecatalog/confined-space-safety-guide.pdf
          30. Hazardous-Location.pdf, https://drive.google.com/open?id=126j6GMgPuT62947EXT-ST2UhD8UUGlV0
          31. Áreas Classificadas: Zonas 0/1/2 e 20/21/22, grupos e tipos de …, acessado em abril 17, 2026, https://melfex.com.br/areas-classificadas-zonas-0-1-2-e-20-21-22-grupos-e-tipos-de-protecao-ex-guia-pratico/
          32. What Are ATEX Zones? Zone 0, 1, 2, 20, 21 and 22 Explained – Ventinet, acessado em abril 17, 2026, https://ventinet.com/knowledge-base/atex-zones-2/
          33. Explosion-Proof Fans: Enhancing Safety & Efficiency in Oil & Gas | ACI, acessado em abril 17, 2026, https://www.aircontrolindustries.com/us/air-movement-solutions-us/navigating-hazardous-environments/
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          36. 9 Steps to Effective Confined Space Ventilation – United Rentals, acessado em abril 17, 2026, https://www.unitedrentals.com/project-uptime/safety/9-steps-effective-confined-space-ventilation
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          38. VENTILAÇÃO EM ESPAÇOS CONFINADOS – Luiz Spinelli, acessado em abril 17, 2026, https://www.spinelli.blog.br/literatura/manual_ventilacao_espaco_confinado.pdf
          39. Essential Tools for Confined-Space Rescue, acessado em abril 17, 2026, https://absoluterescue.com/confined-space/essential-tools-for-confined-space-rescue/
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          46. Procedimento Operacional Padrão, acessado em abril 17, 2026, https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/hu-ufma/governanca/gerencia-administrativa/gestao-de-pessoas/POPSOST0032017_EspaoConfinado.pdf
          47. CONFINED SPACE ENTRY – OSHA, acessado em abril 17, 2026, https://www.osha.gov/sites/default/files/2018-12/fy10_sh-21000-10_Confined_Space_Entry.pptx
          48. Checklist de Equipamentos para Trabalhos em Espaços Confinados …, acessado em abril 17, 2026, https://protecaorespiratoria.com/checklist-equipamentos-espacos-confinados/
          49. OSHA’s Permit-required Confined Spaces Standard. | Occupational Safety and Health Administration, acessado em abril 17, 2026, https://www.osha.gov/laws-regs/standardinterpretations/1996-04-24
          Esse registro foi postado em NR-33 Espaço Confinado e marcado certificação Inmetro portaria 115/2022,detector de gases,espaço confinado,nr33,ranfam,Ventilação para Espaços Confinados.
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